Quinta, 19 Junho 2014 22:43

Mané

E agora, Mané?

O turista chegou,

a luz não faltou,

o povo curtiu,

o mundo adorou,

e agora, Mané?

e agora, você?

você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que fez figa,

apostou no protesto?

e agora, Mané?

  

Está sem poder,

está sem discurso,

está sem caminho,

já não pode bater,

já não pode xingar,

cuspir já não pode,

a noite bombou,

o dia brilhou,

o caos não veio,

o crime não veio,

não veio a dengue

e tudo andou

e tudo saiu

e tudo rolou,

e agora, Mané?

 

E agora, Mané?

Sua ácida palavra,

seu desejo de febre,

sua baba e escarro,

sua peçonha,

sua clava de ouro,

seu texto de vidro,

sua incoerência,

seu ódio - e agora?

 

Sem a chave na mão

quer arrombar a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas a água secou;

quer ir para Minas,

Minas não te quer mais.

Mané, e agora?

 

Se você ouvisse,

se você sentisse,

se você percebesse

o Brasil nascente,

se você olhasse,

se você pulsasse,

se você crescesse...

Mas você não cresce,

você é tosco, Mané!

 

Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem enxergar a rua

a se transformar,

sem gente de preto

para dar o seu golpe,

você marcha, Mané!

Mané, para onde?

 

 

Última modificação em Sexta, 20 Junho 2014 11:29

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