Segunda, 11 Fevereiro 2019 21:18

A diplomacia dos porta-aviões

De olho na Venezuela e no Pré-sal, Almirante Craig Faller, chefe do Comando Sul, visita o Brasil, entre os dias 10 e 13 de fevereiro deste 2019, para consolidar alianças estratégicas de interesse dos EUA.

As declarações do almirante, na última quinta-feira, 7 de fevereiro, diante do Comitê de Serviços Armados do Senado dos EUA não deixam dúvidas sobre sua ação à frente do U.S. Southern Command (SOUTHCOM). Os EUA utilizarão de todos os recursos disponíveis para fazer valer seus interesses que, supostamente, seriam os mesmos de todos os países das Américas, “sua vizinhança”.

O almirante segue a “Estratégia Nacional de Segurança”, de dezembro de 2017, elaborada no governo de Donald Trump:

Almirante Craig Faller
Almirante Craig Faller. Foto: SOUTHCOM

“Durante meu primeiro ano no cargo, você testemunhou minha política externa América Primeiro (America First) em ação. Estamos priorizando os interesses de nossos cidadãos e protegendo nossos direitos soberanos como nação. A América está liderando novamente no cenário mundial. Nós não estamos nos escondendo dos desafios que enfrentamos. Estamos confrontando-os de cebeça erguida e buscando oportunidades para promover a segurança e a prosperidade de todos os americanos”.

Partindo de uma visão maniqueísta, o almirante, em sua Declaração de Postura (Posture Statement) ao Senado, alerta contra os “seis atores estatais”, os “atores malignos”. Na mesma linha já adotada por John Bolton, assessor de segurança-nacional e membro do círculo de conselheiros próximos de Donald Trump, que identificou Cuba, Venezuela e Nicarágua como a “troika da tirania”.

Na era Bush também houve o “Eixo do Mal”. E nesse conceito de mal cabe qualquer país que pretender desafiar o menor dos fundamentos da Ordem Mundial Americana, um credo que divide o mundo entre amigos e inimigos.

Algo como: os que estão de acordo com nossa dominação e os que estão contra. Os primeiros, são chamados de parceiros, vizinhos. O almirante usa a palavra “neighborhood”, vizinhança, que também pode ser traduzida por bairro. O que reciclaria o antigo conceito de “quintal” dos EUA atribuído à América Latina.

Essa ação ofensiva colocou no eixo das disputas internacionais a América Latina, com real perigo de uma intervenção militar na Venezuela sob a capa de uma “ajuda humanitária”. Em especial, diz o comandante aos senadores, “estamos monitorando os últimos acontecimentos na Venezuela e esperamos receber esse país de volta à comunidade de democracias do hemisfério”. Isso dito por alguém que tem sob seu comando uma poderosa força militar não é somente um desejo vazio.

“Dentro da região, temos que estar no campo para competir. A mesma presença que fortalece nossas parcerias envia um poderoso sinal à Rússia, China, Irã, Cuba, Venezuela e Nicarágua (os seis atores estatais negativos) que os Estados Unidos estão comprometidos com a região e com a segurança de nossa vizinhança”.

A forma de “competir” é criar estruturas de redes de suporte contra as redes de ameaças. “O sucesso e a segurança das gerações futuras dependem de como efetivamente construímos confiança com aliados e parceiros no Hemisfério hoje”. E continua: “em última análise, queremos que os inimigos nos temam, que amigos façam parceria conosco e que o hemisfério ocidental brilhe como um farol de paz, prosperidade e potencial”.

No mesmo dia que Craig Faller falava aos senadores, terminava em San Antonio, Texas, a Conferência dos Exércitos Americanos (CAA), que é uma reunião “especializada sobre apoio militar a autoridades civis para combater redes de ameaças”.

 Chefes do Comando Sul (EUA) no Brasil
Lilian Ayalde e Craig Faller reúnem-se com autoridades brasileiras. Foto: SOUTHCOM

“O combate às redes de ameaças tem que ser um esforço de equipe”, disse o presidente da conferência, major-general Mark Stammer, comandante sul do Exército dos EUA, depois de receber delegados de 18 países diferentes em San Antonio”.

“Para derrotar qualquer rede, é preciso muitos parceiros. Uma rede de redes é melhor. Precisamos incluir todos os nossos parceiros interagências quando estivermos planejando e executando operações de rede contra ameaças”, esclareceu Robert Pike, Oficial de Ligação do Exército dos EUA para a CAA.

Neocolonialismo

Enquanto isso, o almirante repercutia o mesmo conceito no Senado: “o fortalecimento de nossas parcerias é nossa melhor proposta para enfrentar ameaças regionais e globais. Trabalhamos com parceiros através e por meio de parceiros para aumentar a segurança dos Estados Unidos e de nossos parceiros e ajudar a aumentar as relações bilaterais de segurança em iniciativas de segurança regionais e globais. Nossa abordagem em rede para combater as ameaças reconhece que nada acontece sem parcerias robustas e duradouras em toda a agência, região e sociedade civil dos EUA”.

Assim, o trabalho interagências aparece como o caminho por meio do Departamento de Estado, Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Departamento de Segurança Interna (DHS) e Departamento de Justiça (DOJ) e outros, com recursos, financeiros e humanos, suficientes para envolver instituições e pessoas na rede das redes da “Ordem Americana”.

Esse conceito materializou-se recentemente na rede de apoio ao presidente autoproclamado da Venezuela, Juan Guaidó - uma peça formada e treinada nesse emaranhado de interesses financiados pelos EUA. Rede que se espraia pelo mundo todo.

Para Faller, os “malignos” “China e a Rússia, desafiam o poder, a influência e os interesses norte-americanos, para destruir a segurança e a prosperidade Americanas”. E “querem moldar um mundo antitético aos valores e interesses dos EUA”. Para isso, “começaram a reafirmar sua influência regional e global. Hoje, eles estão desenvolvendo capacidades militares destinadas a negar o acesso da América em tempos de crise e a operar livremente em zonas comerciais críticas em tempos de paz. Em resumo, eles estão contestando nossas vantagens geopolíticas e tentando mudar a ordem internacional em seu favor”. E ainda “direcionam seus investimentos no mundo em desenvolvimento para expandir a influência e obter vantagens competitivas contra os Estados Unidos”.

O cenário é de confronto e conflito aberto ou não entre EUA e as outras potências e paises, em particular, a China. A Venezuela é o alvo mais próximo e visível.

O sítio venezuelano Missión Verdad, em matéria intitulada “A Cruzada religiosa do Comando Sul contra a Venezuela”, ressalta que, apesar de uma maior presença da China e da Rússia no continente, “em poucos anos, os poderes estatais na Argentina, Brasil e Equador mudaram a direção do integracionismo latino-caribenho para a integração pan-americana neocolonial. A balança começou a inclinar-se regionalmente para a dominação dos EUA” em detrimento da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), da Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA), do Petrocaribe (aliança na área do petróleo entre alguns países do Caribe com a Venezuela) e do Mercosul.

O Brasil, em particular após Jair Bolsonaro ser eleito presidente, apresenta-se como um “parceiro” especial para os Estados Unidos. "Para a paz e a estabilidade da região, é crucial que os Estados Unidos aproveitem essa oportunidade histórica de aproximar as duas nações mais populosas do Hemisfério Ocidental", disse à CNN o senador Marco Rubio, presidente da Subcomissão de Relações Exteriores do Senado no Hemisfério Ocidental e membro do Comitê de Inteligência do Senado e do Comitê de Apropriações. Rubio é um dos principais articuladores da agressão à Venezuela e teve importante papel na decisão de Donald Trump em apoiar a autoproclamação de Juan Guaidó.

Rubio, que foi derrotado por Donald Trump como aspirante à presidência pelo partido Republicano e se elegeu senador pela Flórida, pode ser qualificado como da extrema direita cubano-americana. Na campanha para o Senado, apresentava-se como filho de “exilados cubanos que haviam fugido da ditadura de Castro”. O jornal The Washington Post, entretanto, disse que Rubio "embeleza os fatos", pois "os documentos mostram que os pais de Rubio vieram para os Estados Unidos e foram admitidos para residência permanente mais de dois anos e meio antes das forças de Castro derrubarem o governo cubano e tomarem o poder no dia de ano novo de 1959".

Na entrevista à CNN Rubio continua a "embelezar os fatos" e reverbera o mesmo discurso do almirante ao Senado. Afirma que, particularmente após os "governos anti-americanos" de Lula e Dilma, “um Brasil forte, vibrante e democrático, mais estreitamente alinhado com os Estados Unidos como parceiro estratégico, pode ser um multiplicador de forças no enfrentamento da crise atual na Venezuela e no combate às intenções malignas de regimes autoritários, como China, Rússia e Irã, que pretendem expandir sua presença e atividades na América Latina”.

Essa importância do Brasil como parceiro materializa-se na proposta apresentada por Faller senado: "ainda neste ano, o Brasil vai indicar um general para servir como Vice-comandante de Interoperabilidade do Comando Sul, o primeiro brasileiro a desempenhar este papel”.

É enxergando o mundo a partir dos interesses geopolíticos dos EUA, e pretendendo que estes sejam os mesmo dos demais países da América, que o almirante Craig Faller visita o Brasil. Faller tem sob seu comando um conjunto de forças que integra o exército, a força aérea, a marinha e a guarda costeira dos Estados Unidos. Destaque para a 4ª Frota, sediada na Estação Naval de Mayport, em Jacksonville, Flórida, que reúne navios, aviões e submarinos da Marinha dos EUA operando no Mar do Caribe, e os Oceanos Atlântico e Pacífico ao redor da América do Sul e Central.

A retomada das operações da Quarta Frota, em 1º de julho de 2008, 58 anos depois de ser desativada, “coincidiu” com a descoberta do pré-sal (as maiores reservas de petróleo descobertas recentemente), anunciada em novembro do mesmo ano. No dia 18 de setembro de 2008, uma quinta-feira, o presidente do Brasil, Luíz Inácio Lula da Silva, durante a cerimônia de batismo da plataforma P56, da Petrobras, no Rio Grande do Sul, destacou que “a Marinha [brasileira] joga um papel importante para proteger o nosso pré-sal, porque os homens já estão aí com a Quarta Frota quase em cima do pré-sal”.

Para Lula, “a nossa Marinha tem que ser a guardiã das nossas plataformas em alto-mar para fiscalizar esse patrimônio, porque daqui a pouco chega um espertinho aí e fala: isso é meu, está no fundo do mar mesmo, ninguém sabe, isso é meu”. Na época, o Brasil apostava na construção de um submarino nuclear para reforçar o controle nacional sobre o pré-sal – o projeto foi inviabilizado pela ação política do atual ministro da justiça, Sérgio Moro, à frente da Operação Lava Jato - que tem todas as características das ações de uma das redes citadas pelo almirante.

Rede de Intrigas

Em evento realizado em julho de 2017, na presença do então Procurador-Geral da República do Brasil, Rodrigo Janot, o vice-procurador geral adjunto em exercício do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ), Divisão Criminal, Kenneth Blanco, ressaltou a colaboração “informal” entre os dois países.

No vídeo do evento, Kenneth Blanco explica como e por que a Divisão Criminal atua “perto e junto com parceiros estrangeiros, como o Brasil”. Blanco apresenta uma versão bastante curiosa de uma das redes de parceiros ressaltadas pelos estadunidenses.

A justificativa para a parceria é a integração das economias e o rompimento das fronteiras pelas ações criminosas.

Para Blanco é “difícil imaginar uma cooperação melhor na história recente do que a que temos entre o Departamento de Justiça e o Brasil” e a Lava Jato.

Blanco refere-se explicitamente ao caso da empresa Odebrecht, que atingiu em cheio o coração da empresa brasileira de petróleo, Petrobras, e foi um dos fatores fundamentais para a queda de popularidade da então presidente Dilma Roussef, levando à sua destituição e à prisão política do ex-presidente Lula. A empresa Odebrecht era também a principal responsável pela construção do submarino nuclear brasileiro. Com projeção internacional relevante a partir de apoio do governo de Lula, a empresa também derrotava empresas estadunidentes em concorrências pelo mundo.

Segundo Blanco, o Departamento de Justiça “não somente ajudou na coleta de provas, na construção dos casos, mas fez questão de creditar as multas e punições pagas a cada país”.

"Devido à proximidade do Departamento de Estado e os procuradores brasileiros", ressaltou, os contatos puderam ser informais, à margem dos tratados e leis. Logo após os 8 minutos do vídeo, Blanco apresenta claramente como funciona a rede de colaboradores dos EUA. “No começo de uma investigação, um procurador ou um agente de uma unidade financeira de um país, pode ligar para seu parceiro estrangeiro e pedir informação financeira como, por exemplo, identificação de contas bancárias. Uma vez que a investigação tenha chegado ao ponto em que os procuradores estão prontos para levar o caso ao tribunal, as provas podem ser requeridas através do canal de assistência jurídica mútua para que possam ser aceitas como provas durante o julgamento”. A partir dos 9 minutos e 47 segundo Blanco cita a prisão de Lula como exemplo de sucesso da Lava Jato, o que levou a defesa do ex-presidente a arrolar o vídeo como prova, pois  “toda solicitação de assistência em matéria penal dirigida aos Estados Unidos deve ser feita por meio da Autoridade Central, que no Brasil é o Ministério da Justiça”, conforme o sítio GGN.

Alguns meses antes de Lula citar a Quarta Frota, no dia 5 de julho de 2008, na comemoração da independência da Venezuela, o presidente Hugo Chávez já havia reagido à reativação da força de intervenção. Quase prevendo o futuro, Chávez afirmou: “No le tenemos miedo” (“Não temos medo deles”) e pediu “aos militares da América Latina e Caribe” para se “colocarem ao lado do povo”. Para ele, “os soldados, devemos estar sempre ao lado do povo e contra o imperialismo e a oligarquia”.

Os EUA dividem o mundo em seis grandes regiões, correspondentes às suas seis frotas (II, III, IV, V, VI e VII) distribuídas no Atlântico Ocidental, o Pacífico Oriental, o Oriente Médio, o Mediterrâneo e Atlântico Oriental, e o Pacífico Ocidental, além área de atuação da IV Frota.

Os chefes das seis frotas não são meros comandantes militares. Exercem um papel político importante. “Eles estabelecem ligações com militares dos países de sua área de atuação e, muitas vezes, são encarregados de fazer os primeiros contatos políticos com governos considerados problemáticos pelos Estados Unidos. Nos últimos anos, esse aspecto de sua função aumentou muito, em virtude dos vastos recursos financeiros de que dispõem. Uma discussão mais detalhada do papel desses comandantes é apresentada por Dana Priest, The Mission, Nova York, Norton, 2003”, escreveu Silvio Caccia Bava no texto “O império contra-ataca”, publicado no Le Monde Diplomatique Brasil em julho de 2008.

Embaixadora Lilian Ayalde
Embaixadora Lilian Ayalde

O Comando Sul, no entanto, tem um suporte extra. Na equipe do almirante Faller, inclusive presente nesta visita ao Brasil, está a ex-embaixadora dos EUA no Brasil, Liliana Ayalde, que, em janeiro de 2017, já havia assumido as funções de Vice-Civil do Comandante e Consultora de Política Externa do Comando Sul dos EUA. Na função, “ela é responsável por supervisionar o desenvolvimento e aperfeiçoamento da estratégia regional e os planos de cooperação de segurança do Comando, bem como as iniciativas de comunicação estratégica, assuntos públicos e direitos humanos do Comando”.

“Ela também desempenha um papel fundamental no engajamento entre agências e empresas. Como Assessora de Política Externa, Ayalde fornece ao Comandante e a outros membros do comando sênior assessoramento geopolítico, político-militar e econômico. Ela também apoia o relacionamento do Comando com o Departamento de Estado e as Embaixadas dos EUA no exterior”.

Liliana Ayalde chegou ao Brasil para ocupar o cargo de embaixadora dos EUA pouco mais de dois meses após as grandes manifestações de junho de 2013 e o escândalo de espionagem revelado no mesmo mês em reportagem do jornal britânico The Guardian, que abalou a relação entre os dois paises. O autor da reportagem no The Guardian, Glenn Greenwald,  apresentou, dia 8 de setembro de 2013, no programa televisivo Fantástico, novas denúncias que indicavam a Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA também espionando a Petrobras. Anteriormente, dia 1º de setembro, denúncia havia mostrado a presidente Dilma Rousseff como alvo da arapongagem.

Diplomacia armada

Liliana Ayalde tem muita experiência. Por 24 anos trabalhou na Usaid — a agência estadunidense de “ajuda internacional”, apontada como um dos principais braços da agência de inteligência dos EUA, CIA, estando entre uma daquelas organizações que esparramam dinheiro para instituições que “defendem a democracia” - como tem acontecido com a oposição venezuelana durante o período recente.

Entre 2008 e 2011, Ayalde serviu como embaixadora dos EUA no Paraguai. Deixou o país poucos meses antes do golpe de Estado que derrubou o presidente Fernando Lugo.

No Brasil, também, saiu próximo ao golpe que derrubou Dilma Rousseff. Só que seis meses depois. Dilma foi destituída em dia 31 de agosto de 2016 e Ayalde partiu em 11 de janeiro de 2017.

Faller é um militar experiente, participou de operações de interceptação marítima em apoio às sanções das Nações Unidas contra o Iraque. Esteve também no Oriente Médio nas operações New Dawn, de treinamento e equipagem das forças iraquianas e na Enduring Freedom, liberdade duradoura, no Afeganistão, deslanchada após o ataque de 11 de setembro de 2001, que teve a Marinha à frente de várias ações.

Durante turnê como comandante do USS Shiloh (CG 67) também ajudou vítimas do tsunami na Indonésia. Esta viagem trouxe dor de cabeça para Faller durante a análise de sua indicação para o Comando Sul no 1Senado.

Donal Trump - Big Stick
Donald Trump, presidente dos EUA

A atuação do Comando Sul, como observado em sua Declaração de Postura ao Senado, revela uma íntima colaboração de ações políticas e militares, materializada nos seus personagens centrais: o almirante Craig Faller e a embaixadora Lilian Aayled. Ou como ressalta Missión Verdad, “nas relações políticas da Casa Branca já não se diferenciam a diplomacia do manual estratégico militar”.

 “Para todas as ameaças, o Comando Sul tem uma resposta e uma ação. A ideia nos últimos anos é expandir o trabalho conjunto entre o exército dos Estados Unidos e o resto dos países satélites. O aumento das bases militares norte-americanas em solo latino-americano e caribenho é um fato claro e próprio, e as operações e exercícios que envolvem acima de tudo “assistência humanitária” e “desastres naturais”.

Não é mais aquela diplomacia que apoiou ditaduras milatares como ocorreu nas décadas de 1960 e 1970 na América Latina. Agora, prevalecem os golpes leves, suaves, como no Brasil de 2016. Melhor ainda se conseguirem ganhar as eleições com um candidato de direita / extrema-direita submisso aos interesses dos Estados Unidos. O paraíso seria o governo ser dominado e tutelado por militares. As relações com o Comando Sul e a submissão aos Estados Unidos ficariam muito mais fáceis.

O Big Stick, "grande porrete", do presidente dos EUA Theodore Roosevelt (1901-1909), com Donald Trump vem forrado de veludo e está reservado para os governos e cidadãos recalcitrantes, refratários ao domínio avassalador do EUA - aqueles que são "do mal". Com o Comando Sul, os EUA resgatam o provérbio africano que deu origem ao nome da diplomacia de Roosevelt: “Fale com suavidade e carregue um grande porrete, assim irás longe”.

 


1Questionamento no Senado

Na véspera da reunião em que a indicação de Craig Faller para o Comando Sul seria analisada pelo Senado dos Estados Unidos, o jornal The Washington Post publicou matéria (Almirante marcado para promoções apesar de jantares com "Fat Leonard") sobre a participação de Faller numa “noite memorável” para “mais de 50 oficiais da Marinha dos EUA do grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln” em Hong Kong. No natal de 2004 “foram convidados para um banquete gratuito no 56º andar de um hotel de luxo, onde saborearam coquetéis, charutos e pratos de caviar Oscietra, trufas negras e thermidor de lagosta”.

Faller foi questinado pela senadora democrata Elizabeth Warren sobre o episódio, pois “o anfitrião” do jantar, Leonard Glenn Francis, “Fat Leonard”, era “um empreiteiro de defesa que desde então confessou ter subornado dezenas de oficiais da Marinha no pior escândalo de corrupção da história da Marinha”, também afirmou “aos investigadores” do Departamento de Justiça, com quem decidiu colaborar, “que pagou uma prostituta para entreter Faller após a festa de Natal de 2004 em Hong Kong, segundo documentos internos da Marinha obtidos pelo The Washington Post”.

Ao final, “autoridades do Departamento de Defesa e Justiça disseram que Faller não cometeu nenhum crime”, está “entre as centenas de oficiais da marinha envolvidos no caso do contratado Leonard Glenn”.

Mas o episódio trouxe dor de cabeça para o almirante diante dos questionamentos da senadora Warren: “Eu só tenho que dizer, isso não cheira bem para mim”. E ainda questionou o militar se não havia “nada que disparasse algum alarme em sua mente, que ele pudesse não atender a padrões éticos”. Faller reafirmou que a presença de todos os oficiais havia sido anteriormente analisada e autorizada e que, inclusive, oficiais femininas haviam participado da jantar festivo.

Última modificação em Sexta, 15 Fevereiro 2019 19:33

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